Confesso aqui com certa tristeza, uma enorme decepção. Liguei para um amigo convidando-o ir ao teatro ver a minha peça VERSOS PROFANOS. Ele pediu um pequeno intervalo e consultou a esposa, que eu felizmente não conheço. Ela então esbravejou "Vc não se cansa de mundo cão não? Putaria, viadagem, esculhambação!" Meu amigo visivelmente desconcertado voltou ao telefone, ignorando que eu ouvira as palavras de sua esposa, e ofereceu-me uma irrecusável justificativa. "Sabe que é Ney é que a minha mulher pretende ir ao culto e eu devo acompanhá-la" agradeci e desliguei o telefone. Chorei silenciosamente! Ferido mortalmente em minha alma sensível, com aquele julgamento tão precipitado. A minha obra não tem nada disso, e quando tem, é procurando mostrar que o ser humano em sua grandeza está acima desse momento. Afinal o que é um verso profano? Transcrevo aqui algumas palavras do poeta. "Reinaldo - Oh Dalila! Afinal quem és tu? Uma deusa do Olimpo? Saída do templo de Zeus para tornar-se, em matéria, minha própria deusa? Em verdade vos digo. Nunca consegui decifrar-te. Nunca soube quem realmente és e nunca alcancei a plenitude de tua alma. Mesmo assim sou teu... Ama-me com a ternura das santas e a avidez das prostitutas. Afinal o amor em si tem suas próprias leis
sábado, 12 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
O preço da liberdade
Meus caros amigos
Embora considerando-me um homem muito equilibrado confesso que hoje comecei ficar desesperado com o que vi e ouvi na rua sobre a situação em que se encontra nosso país. Um grupo de trabalhadores, pessoas comuns do salário mínimo, usando aqueles uniformes, modelo bóia fria, conversavam inflamados sobre acontecimentos recentes e clamavam pela volta da ditadura militar, como única forma de consertar as coisas e restabelecer um mínimo de moralização no serviço público. Falavam de INSS, descaso, escândalos, assuntos que estão na mídia e na vida das pessoas. Considerando que eles estão certos em sua maneira de pensar, tipo ladrão tem medo de farda, subalterno tem medo do chefe etc. e tal, não nego que sentí calafrios ao pensar nos efeitos colaterais desse remédio. O Brasil está uma calamidade? Está. As pessoas perderam a noção de todos os limites? Perderam. Virou uma esculhambação? Virou. Colocado no paredão para tomar uma decisão sobre o que fazer, so forem somente essas duas alternativas, gente vamos deixar a coisa como está. Alguns mais inflamados dirão "mas isso é um absurdo". Eu também acho, mas esse é o preço da liberdade. Todos os sistemas de governo são iguais ou, no mínimo semelhantes. a diferença é que na ditadura ha um grande poder de concentração e um poder maior ainda de camuflagem. Ou seja, a diferença é que a gente não fica sabendo. Eu sou um artista e pela minha liberdade de pensamento e expressão estou disposto a pagar até com a imoralidade reinante. A única saída para a dignidade de um povo é a entrada da escola. Quando se abre uma escola, automaticamente se fecha presídio, esvazia hospitais, reduz-se drasticamente a conrrupção e o desmando, cria-se uma ordem baseada nos valores mais elementares do ser humano e isso contamina a todos. Infelizmente não tem sido a opção do Brasil. Quando fora do poder todos pensamos assim, uma vez revestidos com a autoridade, dotados do direito à impunidade, protegidos por habeas corpus preventivos para mentir, esconder, silenciar... Então é melhor não falar sobre isso. Que pena! A cada quatro anos temos a oportunidade de mudar tudo, mas curiosamente nunca fazemos isso.
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